Silksong parece a sequência que Hollow Knight merece; veja vídeo

Sequências são um negócio arriscado. Aguardadas pelos fãs e cobiçadas pelos estúdios, continuações de jogos de sucesso caminham sempre numa linha tênue. As razões são muitas: risco do mais do mesmo, provável revolta dos mais fanáticos e, nos casos extremos, o risco de uma bomba tão ruim que mate a série como um todo (descanse em paz, Silent Hill). Isso é especialmente verdade quando o material de origem é muito bom.

Na maioria das vezes, o cerne da questão aqui é propósito: a real necessidade de continuação para uma obra fechada. E é neste ponto que a australiana Team Cherry acertou em cheio nesta quinta-feira, 14, ao anunciar Silksong (Switch, PC), sequência do excelente Hollow Knight (2017). Nas imagens, vemos um metroidvania ainda cheio de insetos e parecido com o original, com mudança de protagonista para a misteriosa Hornet, anti-heroína do primeiro jogo.

Uma das minhas frustrações com Hollow Knight (se é que há outras; ele é bom assim) é o quão pouco o jogo explora o potencial de seus vários personagens carismáticos. É óbvio que essa opção pelo storytelling minimalista é intencional, inspirada no estilo Dark Souls de apresentar o mundo “pelas beiradas”, deixando o jogador livre para juntar pedaços de um contexto maior ou não.  O caso específico de Hornet, no entanto, ainda assim me deixou querendo mais.

Qual foi minha alegria, então, ao ver a personagem pouco explorada no jogo original agora com protagonismo e em plena ação. Nos dois minutos disponibilizados pela Team Cherry, vemos Hornet saltar e atacar entre inimigos e cenários totalmente novos. A agulha presa em um fio, usada no vídeo para ataques e locomoção, e a invocação de pequenos insetos são mecânicas novas e promissoras, além de conferirem maior agilidade ao jogo.

Completam a lista de aperitivos a aparição de personagens e cidades inéditas, além da inclusão de 150 novos inimigos: tudo parte da receita que fez de Hollow Knight um queridinho indie. Em uma casca de noz, o original é um sucesso porque, além da jogabilidade extremamente afinada, sucede em criar um mundo repleto de personagens curiosos (quando não perturbadores) e que estimula o interesse pela exploração.

Ainda com apenas breves relances, é cedo para avaliar o quão positiva será a nova entrada na série. Problemas frequentemente citados no original, como a constante necessidade de voltar para áreas anteriores (o famigerado backtracking), o ritmo mais lento (especialmente ao lado dos contemporâneos Guacamelee e Dead Cells) e a dificuldade por vezes punitiva ainda seguem como incógnitas.

Porém, mais que uma sequência para lucrar em cima da popularidade da série, Silksong já nasce parecendo genuinamente um capítulo novo na saga de Hollow Knight e sua bizarra fauna de insetos. Se escorando nessa necessidade dos fãs por mais de Hornet e do mundo, a sequência captura o desejo do público e promete entrega à altura que o original merece. É justo: tratando do que trata, qualquer outra abordagem seria extremamente frustrante.