Minit é muito mais que um gimmick

Game jams são um fenômeno muito interessante no cenário de video games. Juntar grupos inusitados de desenvolvedores e artistas, designar um tema para essa galera e então dar um limite de tempo para produzir algum joguinho.

O intuito dessas experiências muitas vezes é desenvolver e testar alguma ideia diferente. O limite estabelecido de tempo não dá a ninguém a oportunidade de fazer só um jogo padrão. A própria limitação desse formato das jams obriga aqueles envolvidos a tentar uma coisa nova.

Por muitas vezes vemos que essas criações acabam se limitando a um gimmick, um truque para chamar a atenção para algo que no fundo, não é tão legal assim. É mais fácil oferecer algo superficial que chama a atenção do que dedicar tempo e esforço para criar algo realmente novo e instigante. No geral, jogos que tem gimmicks poderiam ficar muito bem sem elas.

Não me entendam mal, Game Jams são incríveis. Elas são uma fonte insubstituível de prática, aprendizado e uma excelente oportunidade para aqueles que querem trabalhar na indústria de mostrar o seu trabalho e se conectar com pessoas que talvez tenham os mesmos sonhos. Não é atoa que um dos melhores jogos que eu joguei nos últimos tempos começou em um desses projetos.

Minit começou como um projeto de Hora de Aventura, Algo que pode ser percebido na estética vibrante e cartunesca do jogo final. Todos os personagens são muito únicos, e seus visuais chamam a atenção por serem engraçadinhos e cheios de personalidade. Um feito e tanto para um jogo que usa um estilo que remete muito aos 8-bit de um Game Boy.

A ideia fundamental do jogo já surgia quando ele era uma aventura de Finn, o humano. Você possui apenas 60 segundos de vida. Ou seja, qualquer puzzle, combate ou etapa de missão teria que ser resolvida em menos de um minutos. O que para mim, inicialmente parecia mais ser uma dessas artimanhas, que estimulava um estilo de jogo mais speedrun, logo se tornou um elemento de design genial.

Cada pequeno puzzle do jogo, cada tela, cada caminho entre um checkpoint e outro. Tudo isso é feito de forma exemplar para acoplar as limitações do personagem. Ao invés de atrapalhar o seu ritmo de exploração, a pausa forçada te ajuda a olhar as coisas por outro ângulo e pensar um pouco fora da caixa. Minit não poderia ser o que é sem o seu loop. Sem o timer, minit seria apenas um charmoso jogo de flash disponível em algum Site de Jogos da internet.

E por mais que a sua experiência seja curta, a quantidade de conteúdo extra e acima de tudo, o valor de cada coisa que o jogo decide fazer, destacam as qualidades de Minit. Pequenos detalhes em seu número de pixels limitados, diferentes diálogos com os personagens bonitinhos pelo mundo e as interações possíveis entre tudo que você pode fazer.

Ao encarar minha experiência com esse jogo eu não consigo ver nenhum truque aqui. Não existem superficialidades que apenas criam gordura. Mais elementos de combate, uma história, ou até mesmo cores. Tudo isso seria dispensável e sua ausência é bem vinda. Portanto, Minit é o oposto de um Gimmick, ele é feito apenas do necessário.

Cada momento em que você está procurando pistas ou caminhos que te levem mais perto de entender o que acontece com seu personagem ou como acabar com a maldição da espada que te mata de tempo em tempo é acompanhado de uma maravilhosa trilha sonora. Assim o simples ato de regar uma planta no seu jardim, ou correr por um deserto aparentemente vazio se torna uma experiência marcante.

Segredos e dicas enigmáticas me fizeram lembrar sempre do primeiro Legend of Zelda, realçando inspiração em jogos antigos, feitos em sistemas muito mais limitados. E sua existência por si só já prova que limitar pode acabar gerando resultados muito maiores que a soma de suas partes. Talvez sem o limite de tempo de uma Game Jam, Minit seria apenas mais um jogo que lembra Zelda. Mas ainda bem que o tempo nem sempre é inimigo da perfeição.

Minit está disponivel para Playstation 4, Xbox One, Steam e agora também para Nintendo Switch