Mini Motorways e a difícil compreensão sobre o trânsito mundial

Já perdi as contas do quanto eu reclamo da engenharia de trânsito de Fortaleza, cidade onde moro. Muitas coisas não fazem sentido, principalmente quando transformam grandes avenidas de mão dupla em único sentido, dificultando a vida de quem vem no sentido oposto. Podem colocar quantas faixas quiserem, o problema de congestionamento continua, ou até que piora.

Quando converso com colegas e motoristas de aplicativo, onde geralmente esse tópico aparece com mais frequência, chegamos à conclusão que aquilo que precisa de conserto é a mentalidade do motorista fortalezense. Algo bastante complicado, pois é quase um esporte falar mal do trânsito da sua própria cidade e/ou estado.

Mas não posso ficar falando muito mal do motorista fortalezense, por que eu mesmo não dirijo. Nem sei por onde vai, se me colocarem dentro de um carro não faço ideia como ele vai sair do lugar. Algumas pessoas tem alguma noção do funcionamento de um carro e se guiam pelos sinais de trânsito e digo que não faz muito tempo que descobri o que é uma ‘embreagem’.

Em jogos de corrida sempre tinha dúvidas quando perguntavam se queria ir no modo manual ou automático. Escolhia automático apenas para não arriscar, só anos depois que foram me explicar que era referente a marcha do carro. Pedi para me explicarem, eu entendi na hora, mas cinco minutos depois já tinha esquecido tudo.

Pensando agora, faz sentido o meu afastamento de qualquer coisa relacionado a dirigir. Isso explica a minha falta de vontade de ter uma carteira de motorista, claro que existem outros motivos para tal mas não dá pra mentir que não tô muito afim de querer dirigir. 

Mesmo sendo uma topeira e não saber assimilar placas e regras de trânsito, assimilei o suficiente para não ser atropelado, apesar de que já tiveram momentos que estive perto de sofrer acidentes. Mas aí é culpa dessa galera que coloca a seta quando já dando a curva, dificultando a situação pro cidadão brasileiro.

E é por isso que travei uma constante batalha ao jogar Mini Motorways e entender o seu funcionamento. Na verdade eu entendo, é um sucessor espiritual de Mini Metro e aqui você controla ruas, pontes e auto-estradas de uma cidade. É o seu trabalho fazer com que os carros cheguem nos prédios da mesma cor, evitando qualquer tipo de problema no deslocamento.

Se demorar muito, um ícone aparece no prédio indicando que se apresse para resolver o congestionamento e você perde a partida.

Cada vez que um carro chega no seu destino, você ganha um ponto. O máximo que consegui foi 561. Quando abro as pontuações de outros jogadores, vejo 1175, 1098, algo inimaginável, impossível, como essas pessoas chegaram nisso eu fico me questionando.

É um jogo simples de entender, sem floreios e mecânicas complicadas. Depois de completar o tutorial pode escolher algumas cidades como base, a única diferença é a presença de um rio caso a cidade for costeira. Daí é só ir conectando as casas aos prédios que vão aparecendo pelo mapa durante uma semana, quando chega no Domingo, você ganha mais blocos para criar ruas e pode escolher entre duas atualizações, que variam entre pontes, semáforos, auto-estradas e mais blocos.

Mini Motorways também é simples no seu visual, evocando uma sensação de calmaria e sossego. Ele utiliza cores chapadas, leves, abusa muito do contraste para destacar elementos como as ruas e na iconografia dos carros, casas e prédios. É composto pelo menor número de elementos possíveis.

Por evitar qualquer tipo de ruído visual, é ótimo para colocar um podcast ou música para tocar enquanto tenta fazer sentido no emaranhado de carros e prédios coloridos que surgem do nada. Seria melhor se essa simplificação não atrapalhasse o entendimento geral da mecânica, você não tem confiança se as ferramentas que tem a disposição funcionam.

Segundo o tutorial, o semáforo serve para controlar o fluxo de carros e aconselha colocar nas interseções para alterar o fluxo do trânsito. Mas na prática, você consegue se virar sem já que ao colocar ele parece atrapalhar criando mais congestionamento. 

As autoestradas por outro lado, ajudam bastante. Não só por forneceram uma rota alternativa mas também por conseguir criar conexões com ruas divididas por um rio tal qual uma ponte. Então eles funcionam como um substituto caso você não tenha recebido uma ponte ainda no final da semana.

Falando nisso, o jogo te força a pegar uma atualização no final da semana e se não pega, você é punido. Se ele tá dá uma ponte e você não pega, tenha certeza que vai aparecer um prédio do outro lado do rio e a frustração se constrói lentamente, como aquela azia depois de uma feijoada no sábado. Daí é um efeito bola de neve e terá sorte de conseguir reverter a zona de carros coloridos amontoados em rua.

E assim, fico empacado. Tento achar meios de conseguir sair da trava, aumentar a pontuação mas acabo perdendo sempre do mesmo jeito. É aqui que eu penso que talvez o problema seja comigo, se de alguma maneira a minha falta de conhecimento sobre leis do trânsito pode estar interferindo com o meu aproveitamento num joguinho.

Mas isso não interferiu no meu divertimento geral, mesmo sem confiança das minhas habilidades e sem saber por onde poderia ir, deu pra curtir. É um daqueles jogos que você abre pra dar uma descansar, relaxar e não pensar tanto. Mesmo assim qualquer cidade que eu escolhesse, sempre acabava na mesma e a experiência me parecia redundante.

Quanto mais penso sobre o que poderia fazer diferente para pontuar mais, só penso que talvez os engenheiros de trânsito de Fortaleza não seja culpados. Por mais que eu entenda melhor as complicações por trás de decisões feitas em avenidas e similares, dizer que eu desenvolvi uma empatia pelos engenheiros seria esticar muito a baladeira. Eles ainda tão fazendo muita presepada e percebi que tô reclamando ainda mais, talvez o problema seja eu mesmo.

Talvez eu precise jogar um Gran Turismo pra aprender pelos menos como faz um curva maneira, mas nessa altura do campeonato tenho minhas dúvidas.

Mini Motorways está disponível na Steam e na Apple Arcade