Mesa de papelão, uma game jam de jogos analógicos

Se uns anos atrás você me dissesse que fariam um versão digital para celulares de ‘Settlers Of Catan’ eu ia te chamar de louco.

E se falasse que existe um mundo novo de jogos de tabuleiro além de Detetive e WAR, também iria acusá-lo de insanidade.

Apesar de ainda viver nas sombras, é impossível negar que o mercado analógico de jogos cresceu consideravelmente e ficou mais democrático, saindo títulos autorais, mesmo alguns sendo licenciados.

Seu sucesso existe mas possui obstáculos, principalmente por ser colocado contra os jogos digitais, como se fosse uma coisa totalmente diferente. O que leva aos envolvidos no segmento analógico ainda serem tratados como o “nicho do nicho”.

A resistência é grande, com muita gente querendo democratizar ainda mais e mostrar as possibilidades que uma experiência analógica pode oferecer. O grupo DBCA (Desenvolvedores de Boardgames, Cardgames e afins) é um exemplo de uma galera que vem fomentando a discussão sobre o assunto e recentemente criaram sua primeira gamejam, “Mesa de Papelão”.

Conversei com um dos membros do grupo e designer, Daniel “Guarah” Feitosa que contou a empolgação de conseguir seguir em frente nesse segmento. Ele fala que já é comum jams para video games,como as feitas online Jaaj e Ludum Dare, enquanto a Global Jam e Feira da Música, foram presencialmente.

“Por outro lado, o espaço do analógico não é tão acostumado com esse tipo de evento.” diz Daniel. “Geralmente há concursos de editoras que fazem algo parecido com o intuito de vender algum produto novo, mas Jams mesmo não é algo muito popular dentro desse nicho.”, continua

O que faltava mesmo era a iniciativa de organizar e montar algo desse gênero, o que está deixando a comunidade bem empolgada.

A dificuldade aqui se encontra em sair da própria bolha e trazer pessoas que não está familiarizada com esse tipo de jogo. Daniel diz que o poder imersivo dos games, os colocam em um patamar mais atraente pro consumidor e este quando vira desenvolvedor, optar pelo digital.

Somado ao fato de que a conhecimento comum sobre a midia analogica ainda é aquela básica que abrange títulos como Banco Imobiliário, Uno, War, Jogo da Vida e outros.

Para Daniel, para que aconteça uma mudança e um crescimento maior desse mercado, não só o mercado agradeceria muito uma maior divulgação dele, mas também os desenvolvedores que precisam de suporte.

“Hoje, cursos de faculdade geralmente focam mais no produto digital. Eles não negligenciam o analógico, o curso de Sistemas e Mídias digitais da UFC, por exemplo disponibiliza um grupo de estudos focado apenas nessa área”. Ele concluiu dizendo que mesmo assim, um incentivo a mais é sempre bem vindo.

Morar fora do eixo Rio de Janeiro – São Paulo também dificulta, que é o caso de Daniel e de muita gente. A única saída no entanto são eventos como o Diversão Offline, que além abrir espaço para lojas e editoras, também ajuda o desenvolvedor local para testar o seu jogo.

No caso do estado em que ele mora, Ceará, já conta com um certo movimento, tendo ocorrido não a muito tempo o ‘Fórum de Cultura e Mercado de Jogos do Ceará’ que tem aberto para conversas com o pessoal de desenvolvimento analógico.

A game jam, Mesa de Papelão, é um ótimo exemplo de como podemos fomentar ainda mais essa mídia tão importante quanto a sua irmã digital.

A primeira Mesa de Papelão acontece dia 18 de Maio e vai até o dia 1 de Junho, basta entrar no Itch.io e seguir os passos.