Gatinha, fofurinhas e simplicidade em Gato Roboto

Eu confesso que demorei muito mais tempo pra jogar um Metroid na minha vida do que uma pessoa sã deveria. Eu passei lotado por Metroid na minha infância com o Super Nintendo. Quando me aventurei com Samus Aran pela primeira vez, já conhecia as facetas do gênero, já que na minha bagagem já existiam alguns Castlevanias. Contudo, isso não mudou nem um pouco o impacto que aquele Metroid Fusion teve em mim. Tanto que logo depois eu já emendei o Super Metroid. Eventualmente os Metroid Primes. Fui até pro Other M, mas não me orgulho disso não…

Talvez Gato Roboto seja uma forma de emular essa descoberta com uma criança hoje em dia. O jogo da doinksoft é uma homenagem a Metroid que consegue encontrar personalidade em sua heroína, a gatinha Kiki. Fazendo uso tanto da fofurinha felina quanto de memes de gatinhos, sua missão é salvar o seu humano que está preso em uma nave que despencou em um planeta desconhecido.

Para tal, Kiki tem acesso um mecha, onde pode atirar projéteis e, com melhorias, ter acesso a diferentes armas e formas de locomoção, como um pulo duplo onde vira uma bolinha que se locomove um pouco quando colado na parede. Soa familiar? Além disso, Kiki também pode se mover sem o mecha, conseguindo escalar paredes e se mover por espaços estreitos.

A primeira coisa que chama atenção é a apresentação. Kiki é uma fofurinha! O mecha é maravilhoso. Seu rival no jogo, um ratinho, tem interações divertidas com a heroína e o seu humano. As músicas são divertidas e não cansam em nenhum momento. Embora simples, é possível notar o capricho dos cenários até as animações.

Gato Roboto é um jogo que vai direto ao ponto, sem muita linguiça pra encher. As coisas acontecem rápido, os desafios são escancarados e os segredos são mais questão de observação sua do que no fato de realmente ter que quebrar a cabeça olhando pra um pedaço de mapa. Tome isso como sua melhor e sua pior qualidade simultaneamente.

O combate é um bom reflexo disto. O robô funciona como um Megaman com locomoção apurada. Sua base de ataque são projéteis simples infinitos e mísseis, que é o primeiro upgrade que você pega, ainda nos minutos iniciais. Você pode atirar 2 mísseis e esperar um curto cooldown.

Todavia, o jogo raramente te coloca contra diversos inimigos complexos de uma vez, então às vezes é mais questão de como otimizar sua rota por este setor do mapa do que pensar estrategicamente em sua sobrevivência. Se você explorar minimamente, você encontra alguns upgrades de vida, o suficiente para te deixar safo entre os pontos de salvamento. O maior risco de morrer é cair em desespero ou em lutas de chefes, que são bem divertidas, apesar de nada inovadoras. Algumas poucas tentativas e você entende bem os padrões deles.

A exploração do mundo de Gato Roboto é bem simples e direta. O mapinha te entrega grande parte das áreas inexploradas e a progressão da história é bem linear. Seus desvios de caminho funcionam mais se você quiser ir atrás de coletáveis, que não são muitos assim. Não há muito mistério ou caminhos bifurcados.

Minha experiência foi de pouco mais de 4h e deixei alguns coletáveis pelo caminho. Se eu fosse me dedicar a pegar todos, acredito que no máximo 1h seria acrescido ao meu tempo total. É mais uma questão de paciência para fazer backtracking nas áreas do jogo, que não são muitas. Só que eu estava com bastante sono e o jogo possui uma área final sem retorno após adentrá-la, então eu tive que optar por terminar pra ir dormir logo no lugar de ir ao 100%. Desculpa, moço(a)!

Uma das minhas atrações favoritas na aventura é poder sair do robô e controlar Kiki como uma gatinha normal. Por dois motivos: o primeiro deles é que as partes de caminhar com ela nessa forma parecem ser mais unicamente pensadas. O segundo é que, como o jogo é preto e branco e ela é branquinha, Kiki é igual a minha gata. Então eu posso imaginar que minha gata tá pilotando um mecha. Essa é minha representatividade.

Retornando ao primeiro motivo, a Kiki se move quase como a Morph Ball de Metroid. Rápida, escala paredes e entra em espaços menores. O problema é que a felina é bastante vulnerável nesta forma, morrendo com apenas um dano. Como o jogo te força a passar, por vezes, de cenários com adversários desta forma, acaba criando uma situação divertida de ou usar a calma e explorar a rota dos adversários ou tentar se mover o mais rápido possível para escapar. Em uma das áreas você só pode jogar com a Kiki sem o mecha e é, facilmente, minha seção favorita da aventura.

É importante salientar que tudo isso é sustentado por uma jogabilidade muito competente e responsiva. A distribuição de botões é excelente e eu recomendo fortemente que você utilize um controle. Eu joguei metade da aventura no teclado já que o jogo não queria reconhecer meu Dualshock 4. Não me pergunte o porquê. Por algum motivo eu decidi tentar ligar novamente depois e funcionou. Eu melhorei 300% e senti mais ainda a competência da jogabilidade.

Gosto de definir Gato Roboto como um Metroid de entrada. Possui as pinceladas do gênero, mas sem muita profundidade. A simplicidade é bem vinda em alguns pontos, mas frustrante em outros. Pra quem gosta do gênero, fica a sensação de que falta algo, principalmente desafios com as mecânicas. A sorte é que Kiki e a fofurinha do universo trás uma personalidade que compensa.

Gato Roboto está disponível para Switch e PC

A cópia para PC foi cedida pela Devolver Digital