Explorando Apex Legends, a resposta da EA para Fortnite e PUBG

Muitas empresas após terem resultados abaixo das expectativas decidem que o próximo passo é tomar riscos, inovar, surpreender. Esse não foi o caso da Respawn, que essa semana lançou sem nenhum aviso prévio o seu novo jogo no universo de Titanfall, Apex Legends, um jogo de tiro em primeira pessoa no estilo battle royale. Mas o que fez esse título bater tão rapidamente a marca de 10 Milhões de jogadores em apenas 72 duras horas do lançamento?

O novo jogo gratuito da Eletronic Arts aposta em um multiplayer que divide os jogadores por esquadrões e em um foco maior no elenco de personagens, e assim Apex já começa a mostrar porque desse sucesso.

Existem 8 classes no jogo, com especializações que são mais vistas em jogos do gêneros de Ação de personagem, como Overwatch. Algumas classes se destacam ofensivamente ou defensivamente, outras em suporte ou reconhecimento do mapa.

Cada personagem possui três habilidades: Uma passiva, uma ativa e uma habilidade Ultimate.  As habilidades não são mudanças drásticas na jogabilidade, mas o carisma de cada personagem justifica a inclusão dessa opção. O elenco é bastante diverso, e a escolha de não usar estereótipos mostra que cada um dos personagens foi feito com muito cuidado. Sim, eles ainda seguem arquétipos bem comuns, mas um detalhezinho ou outro fazem muita diferença aqui. Colocar uma mulher negra ao invés de um soldado durão clichê é excelente. E por mais que existam diversos personagens que curam e tem sotaque jamaicano em outros jogos, nenhum tem um robozinho tartaruga.

Não falta carisma para as “lendas” da Apex

Mas a originalidade desses personagens fica mesmo no seu plano de fundo. A ideia de jogar com os membros de uma facção de antagonistas nos jogos de Titanfall é bastante criativa, e individualmente os personagens são excelentes. O problema são as habilidades que não fogem do básico: escudo, bomba, detectar inimigos. Ok, o rapel é legal. Talvez para esse tipo de jogo, não criar muita distinção entre os personagens seja o ideal. Mas Apex precisa decidir qual estilo de jogo ele quer seguir: personagens diferentes, como em Overwatch, ou o estilo clássico de battle royale, em que todos os personagens são iguais?

As formas de comunicação no jogo são um ponto muito forte. Com o clicar de apenas um botão você pode sinalizar um item, marcar um inimigo para seu time ou apontar pra onde você acha que deveriam ir. Essa simples alteração já melhora bastante a qualidade de vida para jogadores que preferem ou não possuem os meios de jogar com comunicação por voz. Sem falar que esses atalhos unem bastante jogadores de regiões diversas, pois, para cada um, a mensagem é mostrada no idioma de sua preferência. É possível também escrever mensagens até mesmo nos consoles, essas então são lidas em uma voz robotizada bizarra para os seus companheiros.

Mas o foco em multiplayer é uma faca de dois gumes. Por um lado as chances de você se divertir com estranhos é alta, mas por outro lado a frustração quando um dos membros do seu trio decide não cooperar é algo que pode afastar muita gente. Se você assim como eu prefere uma abordagem mais ofensiva, você pode acabar saindo em um time de pessoas que jogam muito pacientes, o que pode acabar tirando um pouco da sua diversão.

Tirando isso, Apex não difere drasticamente em muita coisa dos seus competidores. Mas não dá pra negar. Existem mudanças.

E algumas dessas mudanças são interessantes o suficiente para me fazer dar mais uma chance a essas arenas de batalha real. A verticalidade maior dos mapas e as mecânicas que garantem uma maior liberdade em locomoção são um grande diferencial que muda drasticamente a maneira como você encara o campo de batalha. É possível escalar, utilizar tirolesas e deslizar livremente após correr, especialmente em ladeiras onde você consegue percorrer grandes distâncias em uma interminável rasteira.

Essas formas de locomoção agradam a jogadores que preferem um ritmo mais intenso e rápido em suas trocas de tiro. Mas, comparado a Titanfall 2, o último jogo da Respawn, as opções deixam um tanto a desejar. Sem pulo duplo ou corridas na parede, não existe muito do que fez a série ser considerada um ar fresco para jogos de tiro em primeira pessoa.

No geral, o jogo tem uma pegada mais direta, sem muito foco em física ou gameplay emergente, ou seja, sem elementos interagindo uns com os outros para criar situações inusitadas. Mas isso não faz de Apex Legends um jogo previsível. Mas a diversão continua atrelada ao quanto você gosta de apontar sua retícula para outros personagens e atirar.

O meu problema com esse gênero podia ser resumido no intervalo de tempo entre uma peleja e outra. Por mais que eu goste da parte estratégica de posicionamento e se aproximar sem ser percebido, isso de nada adianta se nenhum inimigo estiver por perto. Apex resolve esse dilema muito bem.

O jogo cria áreas de interesse logo no começo da partida. Lugares marcados por círculos azuis oferecem mais itens, e costumeiramente, mais concorrentes para esses itens. Além disso, existe o carregamento aéreo: Uma nave que normalmente dispõe de itens bem mais raros que qualquer outro lugar do mapa. Lugares de maior risco e maior recompensa. Vale a pena arriscar ser baleado antes mesmo de pegar sua primeira arma em troca de itens valiosos? Se você estiver se sentindo confiante, vai fundo.

Mas sempre existe espaço para jogar de forma mais segura. Especialmente porque neste título a mecânica de reviver seus companheiros é expandida. Após perder sua armadura e todos os seus pontos de vida, você ainda pode ser reanimado pelos seus companheiros, o que já é comum em outros jogos do gênero. Mas, além disso, caso você seja abatido nesse estado enfraquecido, seu personagem ainda deixa uma espécie de token que pode ser pego pelos seus companheiros de esquadrão e levado até lugares específicos do mapa para ser revivido. Você perde todos os seus itens, mas continua na partida. Assim, ser mais ativo é novamente recompensado.

O Mapa do jogo possui uma boa variedade de cenários, infelizmente eles são todos meio parecidos

Conforme o campo de força ao redor do mapa encolhe, o número de opções de campos de batalha diminui e, nos últimos minutos de partida, os times são postos em uma arena que não chega aos pés de um Dust2, mas que já fornece variedade o suficiente para gerar situações de combate interessantes. Por mais que a maioria das zonas de Apex Legends sejam similares em aparência, existem algumas diferenças que criam dinâmicas interessantes e singulares para cada uma delas. Alguns lugares possuem mais espaços seguros, como casas e salas fechadas. Outros mostram grandes campos abertos, ideais para pegar algum jogador desavisado de um ponto alto.

O combate fica por conta da grande variedade das armas.  Existem diversas opções para cada estilo, separadas por tipos de munição e por quantidade de upgrades que essas pode receber. A regra normalmente é que quanto  mais opções de aprimoramento mais fracas elas são. Então armas menos customizáveis começam mais fortes. As mais raras não podem ser melhoradas de forma alguma, mas já são por si só uma delícia de se usar. Em pouco tempo você já consegue perceber qual arsenal se aproxima mais do seu estilo de jogo. O que não falta são maneiras de se expressar em um confronto.

Para quem não tem muito interesse em jogos multiplayer ou já está um pouco saturado de Battleroyales, não é fácil recomendar Apex. O jogo pode até ser gratuito, e suas opções de monetização são surpreendentemente amigáveis (considerando que o jogo é publicado pela EA Games). O jogo tranquilamente lhe oferece as chances de tirar itens raros ou lendários, e jogando algumas partidas você consegue recursos para comprar skins ou habilitar um dos dois personagens bloqueados. Mas a maioria dos cosméticos disponíveis é desinteressante. Fica difícil até de saber de alguém está usando algo especial, então não tem muita vantagem em puxar o cartão de crédito.

Após polêmicas com Loot Boxes, a EA decidiu exibir suas chances de tirar itens raros

Mas apesar da falta de originalidade, Apex Legends ainda me cativa e me dá aquela adrenalina conforme a partida vai chegando perto do fim. Saber que a qualquer instante você pode perder o jogo é uma sensação estranhamente boa, que te faz ficar atento a tudo. E esse nível de atenção, vindo de um jogo com partidas que duram no máximo 20 minutos é algo que para mim vale a pena ser experienciado.

Apex Legends está disponível gratuitamente para PS4, Xbox One e PC