[Diário do Carteiro] Gwent – Dia 5: Thronebreaker The Witcher Tales

Em 2017 foi anunciado que Gwent ganharia uma campanha chamada Thronebreaker: The Witcher Tales. No ano seguinte, a equipe de desenvolvimento resolveu transformá-lo em um jogo focada em narrativa, com uma estrutura leve de RPG visualmente inspirado em Baldur’s Gate.

A narrativa de Thronebreaker gira em torno da rainha Meve de Líria e Rívia, que deu ao Geralt seu título de cavaleiro durante a batalha da ponte de Yaruga na segunda guerra contra Nilfgaard.

Todo os confrontos acontecem através das mecânicas de Gwent. O jogo vive em um vácuo, apesar de já ter as duas fileiras em vez das três do beta, as habilidades das cartas são totalmente diferentes. E faz sentido, a maneira na qual as cartas servem como alegorias para um campo de batalha campal é bem efetivo.

Sua narrativa me lembra Banner Saga. Possui uma trilha marcante que apesar de repetitiva não é cansativa, possui direção de arte vibrante é cartunesco sem ser caricato, é o famoso cel shading. Alguns podem argumentar que seria melhor copiar Banner Saga, ir para um traço tradicional, mas aqui funciona muito bem esses personagens inserindo mais personalidade, cor e impacto.

A narrativa se dá em dois momentos: as conversas entre personagens quando algo importante acontece e descrições de eventos. Essa segunda segue a linha de RPG clássico com uma prosa pomposa, detalhista, cheio de garbo e elegância acompanhada por uma ilustração que enfatiza o acontecimento.

Toda a história é contada pelo ponta de vista de um narrador desconhecido, é o mais puro suco da fantasia medieval. Às vezes é medieval demais, em certos momentos esse palavreado bonito cheio de adjetivos cansa. É como se alguém estivesse recitando algum texto do trovadorismo com uma empolgação desumana.

Você consegue perceber que o pessoal se divertiu muito escrevendo e desenvolvendo toda essa história que só era contada em pequenos pedaços em Witcher. Quem se divertiu mais foram os responsáveis pela tradução. Faz um bom tempo que não vejo uma localização tão bem trabalhada como a feita aqui.

Desde a dublagem até o texto em si. É muito difícil atingir esse nível alto de imersão com um conteúdo original que emula uma linguagem antiga e posso afirmar com toda a certeza que é um dos melhores trabalhos que vi até o momento.

A jornada se dá através de um cenário semelhante a Baldur’s Gate, você controla Meve pelo mapa e vai coletando recursos. Eles vão servir para aprimorar o seu deck, seja na quantidade de cartas que carrega ou adquirindo novos aliados. O jeito em que Thronebreaker muda a sua percepção sobre Gwent e o insere em uma estrutura de RPG é bem interessante.

Vale pontuar que joguei 12 horas das 30 possíveis, mas já é possível entender o que ele faz e deixa de fazer. Existem três tipos de encontros por aqui: batalha normal, regras específicas e quebra cabeças.

A batalha normal é Gwent de raiz, três partidas quem tiver maior pontuação ganha. O segundo são confrontos em sua maioria de uma única partida que possuem condições específicas. Já o quebra-cabeças é um minigame que utiliza as mecânicas de cartas como base para apresentar uma situação. 

Tudo é único, até mesmo as partidas normais regem por uma regra diferente. Você consegue perceber que todos os inimigos possuem alguma linha de raciocínio e não é simplesmente o seu boneco contra o computador. 

As batalhas que são apenas uma rodada colocam situações onde é preciso alcançar a vitória com o baralho que montou. Às vezes precisa derrotar uma unidade ou segurar o tranco até que narrativa prossiga e um aliado aparece. São diversas circunstâncias que basicamente servem como um curso intensivo de Gwent, todos os elementos estão ali: posicionamento, timing, prestar atenção nas cargas de uma unidade.

E parte da experiência é a surpresa isso se você já tiver alguma familiaridade com o jogo. Principalmente com os quebra-cabeças, que são mais sobre como resolver um problema do que um confronto contra um adversário.

Nesses casos, você recebe um deck específico para cada uma das situações. Você encontra um deslizamento no meio de sua jornada e precisa escapar, o jogo te coloca três cartas de pedregulho no campo de batalha com cada uma 5 de poder.

Suas cartas são três Besteiros Lyrianos e um Wagenburg. Suas habilidades são diferentes do Gwent atual, os besteiros geram dano a partir da quantidade de cartas em uma fileira contando eles e Wagenburg recebe armadura toda vez que uma carta é colocada na mesma fileira que se encontra e gera dano baseado enquanto de armadura possui.

O objetivo então, é derrotar os pedregulhos com essas cartas. Esses desafios são mais sobre entender o problema, pensar na solução, perceber o que cada carta faz e na ordem que vai executar a resolução.

Existem vários deles e são a parte mais divertida de Thronebreaker juntamente com as batalhas da narrativa principal. E não é fácil, realmente coloca seus conhecimentos de Gwent a prova. Eu sinto que é um grande curso preparatório, não sei ainda se minhas habilidades melhoraram. O que consigo afirmar é que fui forçado a assimilar o funcionamento pelo jogo sendo exposto a diversas situações que dificilmente encontraria em uma partida online.

Ainda não terminei a jornada de Meve e sinto que ainda tem muita para contar, como todos os personagens são carismáticos, recheados de personalidade. No seu assentamento tem uma sala de jantar e você pode até ficar batendo um papo com eles, descobrindo um pouco mais sobre suas motivações, interesses.

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